A História da Iluminação Elétrica de São José do Rio Pardo
Por: Carmen Cecilia Trovato Maschietto (do Departamento de História da FFCL de São José do Rio Pardo)
Com a colaboração de: Maria Helena Carrato Jardim, Isabel Cristina Aracri, Heloisa Gertrudes, Elizabete Mendes Sierro, Maria Aparecida Barbosa, Maria Luisa Capuano, Marly Dante Mascarin, Rosa Helena Marin (alunas do curso de Estudos Sociais da FFCL)
Apresentação
Em 1879, Thomaz Edison aperfeiçoou a lâmpada incandescente, provocando uma verdadeira revolução nos hábitos de iluminação do mundo. A lâmpada elétrica completou, em novembro de 1979, cem anos. Neste mês de novembro de 1994, ela está completando 115 anos.
Dezoito anos depois do grande feito de Edison, em dezembro de 1897, São José do Rio Pardo já contava com este importante melhoramento, que substituiu a romântica iluminação pública a querosene, inaugurada a 11 de agosto de 1889. No dia 19 de dezembro, a iluminação elétrica de São José do Rio Pardo completou oitenta e dois anos (em 1979), e no próximo mês completará 97 anos de história.
Introdução
Quando se estuda o processo de desenvolvimento de certas áreas do Estado de São Paulo, não se pode dissociá-lo da fase de crescimento econômico proporcionada pelo surto cafeeiro do final do século XIX. A economia cafeeira, tornando possível o desenvolvimento de relações capitalistas de produção, favoreceu sensíveis progressos nos setores da urbanização, energia elétrica e industrialização.
O fazendeiro paulista demonstrou, de maneira toda especial, uma capacidade empresarial inédita em toda a América Latina. Condicionado por fatores histórico-econômicos (acúmulo anterior de capital e de poder político, necessidade de investir in novas áreas economicamente lucrativas, envolvimento em empreendimentos que exigiam tecnologia e organização mais evoluídas, inexistência de outros grupos de competidores), o fazendeiro paulista investiu em estradas de ferro, prefereu a mão-de-obra livre, tornou-se comerciante, manufatureiro e interessou-se pelas benfeitorias urbanas, como a energia elétrica, serviço de água, telefones, construções públicas e outras.
Na realização desses empreendimentos, o empresário fazendeiro pôde contar sempre com a colaboração indispensável do imigrante, mais habituado e capacitado tecnicamente com e para o novo estilo urbano de vida, que então se formava.
O estudo que agora iniciamos vem apenas confirmar uma regra geral através de um modelo especial e particular. O tema torna-se, porém, por demais interessante por inserir-se numa realidade espaço-tempo muito privilegiada: a análise da evolução de um empreendimento urbano, que contou com capital e iniciativa da burguesia rural e imigrante, numa vila do “oeste paulista”, na época da expansão cafeeira: São José do Rio Pardo.
A Iluminação a Lampiões de Querosene
Por volta de 1887, a vila de São José do Rio Pardo possuía o burburinho típico de lugar em desenvolvimento. O aumento da população trouxe problemas que exigiam soluções rápidas: alinhamento de ruas, abertura de novas e seguimento de outras; embelezamento das praças; construção de nova Igreja Matriz; canalização de água potável; construção da rede de esgotos; construção de um matadouro público; construção do mercado; maiores cuidados com a limpeza e higiene pública; construção de um lazareto para os variolosos; providências para a iluminação pública e a remoção do cemitério para local mais adequado. Estas eram as revendicações urgentes observadas nas Atas da Câmara até o final do século XIX.
Por outro lado, o escoamento rápido da produção cafeeira exigia novas estradas carroçáveis e a extensão da linha férrea até a Vila de São José do Rio Pardo. Os políticos movimentaram-se e o ramal férreo do Rio Pardo foi inaugurado em 1887. Com ele chegou o telégrafo e novas levas de imigrantes. O número de viajantes, visitantes e itinerantes já era grande e, neste mesmo ano, foi inaugurado o Hotel Brasil.
Mas era necessário que se construíssem estradas ligando a Vila do Rio Pardo a Mococa, Guaxupé e Espírito Santo do Rio do Peixe. O Rio Pardo era um obstáculo a estas realizações, exigindo a construção de duas sólidas pontes. Alguns fazendeiros arriscavam participar de alguns desses empreendimentos, atendendo às concorrências públicas, mas logo desistiam diante das dificuldades. Contudo, todas estas reivindicações eram urgentes, representavam a satisfação de interesses de toda a comunidade urbana e rural, que possuía produção, consumo e direitos próprios, e sabia conduzir-se com muita independência na realização dos seus objetivos.
Orçamento Municipal e Arrecadação (1889)
O orçamento municipal em 1889 demonstrou que 37,5% dos impostos arrecadados provinham do café e os 62,5% restantes eram provenientes de atividades predominantemente urbanas, embora direta ou indiretamente ligadas ao êxito da economia cafeeira. A totalidade desta arrecadação foi destinada a melhoramentos ou obras públicas mais urgentes.
| Receita (Geral 1889) | Valor (Rs) |
|---|---|
| Imposto de café | 6:000$000 |
| Imposto de licenças | 3:500$000 |
| Imposto de patentes | 3:500$000 |
| Imposto provincial | 800$000 |
| Imposto predial | 400$000 |
| Imposto de aferição | 250$000 |
| Curral do Conselho e multas | 500$000 |
| Mascates, eventuais, multas | 1:050$000 |
| Soma da Receita | 16:000$000 |
| Despesa (Geral 1889) | Valor (Rs) |
|---|---|
| Obras da Igreja Matriz | 3:000$000 |
| Obras de canalização de água | 3:000$000 |
| Ao procurador da Câmara | 1:200$000 |
| Aos empregados | 1:220$000 |
| Expediente da Câmara | 350$000 |
| Extinção de formigueiros | 300$000 |
| Despesas com iluminação pública | 200$000 |
| Oitenta lampiões prontos | 2:000$000 |
| Combustível | 200$000 |
| Ao empregado da iluminação | 200$000 |
| Arborização das praças | 300$000 |
| Obras públicas | 3:000$000 |
| Eventuais | 1:030$000 |
| Soma da Despesa | 16:000$000 |
A Implantação do Sistema de Lampiões
Dando conta da incumbência que lhe fora atribuída pela Câmara Municipal, o vereador Honório Luís Dias, administrador das obras dos lampiões, entregou-os prontos e colocados no dia 11 de agosto de 1889, na mesma data do “episódio republicano”. Utilizou-se o sistema belga e os postes estavam colocados nas esquinas e nos meios dos quarteirões.
Ao todo foram colocados 66 lampiões distribuídos da seguinte maneira:
| Localização Urbana | Quantidade de Lampiões |
|---|---|
| Largo da Matriz | 14 lampiões |
| Largo do Mercado | 5 lampiões |
| Rua Direita | 5 lampiões |
| Rua Boa Vista | 5 lampiões |
| Rua das Flores | 8 lampiões |
| Rua do Comércio | 5 lampiões |
| Rua 13 de Maio | 7 lampiões |
| Rua da Floresta (parte) | 3 lampiões |
| Travessas | Quantidade de Lampiões |
|---|---|
| da Cadeia | X lampiões |
| do Carmo | 1 lampião |
| da Conceição | 1 lampião |
| do Ipiranga | 3 lampiões |
| da Imperatriz | 2 lampiões |
A Câmara contratou os serviços de Menezes e Irmão para a manutenção e funcionamento dos lampiões, pela quantia de dois contos de réis anuais, pagos em prestações mensais. Neste projeto destacaram-se os vereadores Saturnino Barbosa, Luis Carlos de Melo, Honório Luis Dias, Antonio Silvério da Silva Musa e José Ezequiel de Sousa. Estes três últimos comporiam, mais tarde, uma sociedade destinada a explorar os serviços de iluminação elétrica.
Em novembro vem a proclamação da República. Começam as modificações apressadas por influência de ânimos exaltados e sentiments confusos. Os nomes de ruas e largos foram mudados. Não tardaria muito e os românticos lampiões seriam substituídos pela luz elétrica.
Um Engenheiro Francês Chega à Cidade
Em 1892, finalmente, o governo converteu em lei o projeto de construção de uma ponte metálica sobre o Rio Pardo. Mas o velho sonho dos cafeicultores ainda demorou mais um pouco para concretizar-se. Somente em 1896 foram feitas as concorrências públicas para a sua realização. O engenheiro Arthur Pio Dechamps de Montmorency foi o que reuniu as melhores condições de preço e idoneidade, vencendo a concorrência e firmando o contrato com a Superintendência de Obras Públicas a 20 de maio de 1896.
O engenheiro Euclides da Cunha, funcionário daquela repartição, era o responsável pelas obras que Montmorency executava em São José do Rio Pardo. Aqui esteve em 28 de agosto e 25 de outubro de 1896, em serviço de inspeção. Depois requereu licença e partiu para a Bahia, onde iria fazer a cobertura jornalística da Guerra de Canudos.
Em São José, os trabalhos da ponte corriam normalmente. Montmorency contratou com a Prefeitura as obras dos aterros das entradas da ponte. Seus contatos com os políticos locais deviam ser muito cordiais e sua capacidade profissional muito respeitada. Tudo leva a crer que era um profissional com visão ampla das possibilidades que o futuro oferecia à região. A ele não passou despercebido o notável potencial hidrelétrico do rio Pardo e dos seus afluentes.
Entusiasmado com a possibilidade de aproveitamento deste potencial, e pensando talvez em reaplicar lucrativamente os rendimentos auferidos com os dois contratos anteriores, dirigiu um requerimento à Câmara Municipal, em 25 de julho de 1896, propondo-se montar a iluminação elétrica nesta cidade. Sabia que podia contar com o beneplácito dos políticos e com a adesão dos capitalistas locais.
Contando, provavelmente, com experiência técnica anterior na produção e distribuição de eletricidade, e sendo o maior interessado na concretização do projeto, coube-lhe a tarefa de organizar uma sociedade interessada em levantar o capital necessário para o empreendimento, garantindo também a sua realização em todas as etapas iniciais. A Câmara Municipal aceitou a proposta e o intendente, Francisco de Escobar, firmou o contrato nas bases propostas por Montmorency. Pela Câmara assinaram os vereadores: João Ribeiro Nogueira, José Joaquim Pinto, Dr. José de Oliveira Leite, Antonio Pereira da Costa Macedo, Alípio Luis Dias e José Octaviano Machado. Os dois últimos investiram capitais na empresa de luz elétrica.
O contrato concedia o privilégio da exploração da energia elétrica por 20 anos; a Câmara obrigou-se a pagar a quantia de Rs 15:000$000 anuais, durante dez anos, desde o dia da inauguração, e estipulou que a iluminação pública deveria constar de 150 lâmpadas de 25 velas cada uma.
O Syndicato de Luz Eléctrica de São José do Rio Pardo
Uma vez firmado o contrato, Montmorency tratou de levantar o capital necessário para o empreendimento. Assim, a 30 de agosto de 1896 foi constituída uma sociedade, que subscreveu o capital de 50:000$000, destinados à exploração de eletricidade em nossa cidade. Era o “Syndicato de Luz Eléctrica de São José do Rio Pardo”, que contava com 22 associados. Naquela mesma data, os associados realizaram o pagamento da primeira prestação de 35% do capital total, da seguinte maneira:
| Associado Fundador | Capital Subscrito (Rs) | 1ª Prestação 35% (Rs) |
|---|---|---|
| Dr. Arthur P. D. Montmorency | 5:000$000 | 1:750$000 |
| Dr. Alvaro de Oliveira Ribeiro | 3:000$000 | 1:050$000 |
| Dr. Guilherme Tell | 3:000$000 | 1:050$000 |
| Vicente Dias Junior | 3:000$000 | 1:050$000 |
| Antonio Monteiro de Oliveira Junior | 3:000$000 | 1:050$000 |
| Honorio Luis Dias | 3:000$000 | 1:050$000 |
| Alipio Luis Dias | 3:000$000 | 1:050$000 |
| Antonio Silvério da Silva Musa | 3:000$000 | 1:050$000 |
| Francisco Soares de Camargo | 3:000$000 | 1:050$000 |
| Manoel Ribeiro Machado | 3:000$000 | 1:050$000 |
| José Dias Machado | 1:500$000 | 525$000 |
| José Monteiro de Noronha | 1:500$000 | 525$000 |
| José Carlos Gomes de Nogueira | 1:500$000 | 525$000 |
| Tarquinio Cobra Olyntho | 1:500$000 | 525$000 |
| Francisco Nascimento | 1:500$000 | 525$000 |
| João Baptista de Souza Moreira | 1:500$000 | 525$000 |
| Félice Mario Calvitti | 1:500$000 | 525$000 |
| Luigi Botelli | 1:500$000 | 525$000 |
| Antonio Migliaccio | 1:500$000 | 525$000 |
| José Ezequiel de Souza | 1:500$000 | 525$000 |
| Evaristo Araujo de Aguiar | 1:500$000 | 525$000 |
| José Octaviano Machado | 1:500$000 | 525$000 |
| TOTAL | 50:000$000 | 18:400$000 |
A maior parte dos componentes dessa sociedade era de cafeicultores dos mais prósperos do município. Havia um rico comerciante, capitalista dos mais abastados, ligado pelo matrimônio com família de fazendeiros. Dois eram médicos influentes, também aparentados pelo casamento com a elite rural de Rio Pardo. Havia um dinâmico farmacêutico, político, descendente de tradicional família mineira proprietária de terras. Três eram imigrantes italianos, que obtiveram êxito em suas atividades profissionais: um barbeiro, um empreiteiro de obras (depois proprietário de terras) e um pequeno proprietário de terras e fabricante de tijolos. E, finalmente, o engenheiro Montmorency, “o cabeça do negócio”.
É evidente que a totalidade dos capitais investidos no empreendimento era proveniente do café, direta ou indiretamente. Para todos os investidores a empresa representava uma alternativa de aplicação lucrativa desses capitais. O grande número de associados, nenhum deles se dispondo a arcar sozinho com um empreendimento tão arriscado, demonstra que se tratava de um investimento que visava a ter lucros. A presença de imigrantes na associação confirma a esperança de lucros satisfatórios e desmente a tese que afirma que os serviços públicos da época eram fruto meramente do “orgulho cívico dos fazendeiros locais”. O idealizador do projeto, o engenheiro Montmorency, era o mais confiante, pois foi o que investiu maior capital.
Contexto Histórico e Pioneirismo
Na verdade, para a época e para a região, tratava-se de investimento não só arriscado como também inédito. A título de ilustração, lembramos que a primeira cidade a possuir energia elétrica no Brasil foi a cidade de Campos, no Estado do Rio de Janeiro, que instalou uma pequena usina térmica em 1883. A primeira usina hidrelétrica da América do Sul foi construída em 1889, por Bernardo Mascarenhas, no rio Paraibuna, para fornecer energia para uma fábrica de tecidos na cidade de Juiz de Fora.
A energia elétrica só foi explorada, sistematicamente, em São Paulo, a partir de 1899, quando foi organizada em Toronto a The São Paulo Railway, Light & Power. Em nossa região, o contrato para iluminação elétrica de São João da Boa Vista é de 1900; em 1905, a Câmara de Caconde entrou em entendimento com o Cel. Vicente Dias Júnior para dotar aquela cidade de iluminação; Casa Branca contou com a energia elétrica in 1912; em Mococa os serviços foram concluídos por volta de 1905, com a organização da Cia. Luz e Força de Mococa. Em São Sebastião da Grama e Espírito Santo do Rio do Peixe a iluminação elétrica foi inaugurada em 1913, na época da CPEE.
| Comparativo de Capital e Custos | Valor (Rs) |
|---|---|
| Capital subscrito pelo Sindicato | 50:000$000 |
| Custo total da iluminação elétrica | 110:000$000 |
| Orçamento Municipal no ano de 1889 | 16:000$000 |
| Orçamento Municipal no ano de 1896 | 105:000$000 |
A Construção da Ponte e dos Serviços de Eletricidade
Ao que as datas indicam, o Dr. Montmorency teve um período bastante sobrecarregado de trabalho entre 1896 e 1897. Em fins de maio de 1896, já tinha dado início às obras da ponte. Em 25 de julho já conseguira o contrato para a iluminação elétrica. Em 28 de agosto, o Dr. Euclides da Cunha aqui esteve inspecionando as obras da ponte. A 30 do mesmo mês era constituída a sociedade do Sindicato. A 20 de outubro, o engenheiro Montmorency oficiou à Câmara que lhe fosse entregue livre e desembaraçado o local onde ia ser assentado o maquinismo da usina elétrica. A 25 de outubro, o Dr. Euclides da Cunha aqui esteve novamente, em serviço de inspeção da ponte.
Somente a 16 de novembro, a Câmara Municipal conseguiu entrar em entendimentos com o Sr. Eliziário Luis Dias, proprietário do terreno onde ia ser montada a usina. A transação só terminou em 21 de julho de 1897, quando o intendente municipal, Sr. Francisco de Escobar, conseguiu uma desapropriação amigável, mediante o pagamento de Rs 7:000$000, pagáveis em janeiro de 1898.
Neste espaço de tempo as obras da ponte e os serviços de eletricidade foram concluídos. Foi um trabalho tão conjunto que a festa de inauguração foi em comum. Nas Atas da Câmara Municipal consta: “Ata especial da inauguração da ponte metálica e luz elétrica desta cidade. Aos 19 de dezembro de 1897, nesta cidade de São José do Rio Pardo, Estado de São Paulo, no paço municipal, às seis e meia horas da tarde, reuniu-se a Câmara Municipal e o povo para a inauguração…” Usaram da palavra o Dr. Alvaro de Oliveira, Francisco de Escobar, Padre José de Anchieta, Dr. Antonio Dias Ferraz Junior e o Dr. José de Oliveira Leite.
Na madrugada de 22 para 23 de janeiro de 1898, uma tragédia acontecia: a ponte metálica desabava de forma espetacular.
As Primeiras Atividades do Sindicato
Até 1900 o sindicato deu conta da parte mais difícil do arrojado empreendimento, que era saldar os compromissos assumidos, bem como conseguir consumidores particulares de energia elétrica. Isto implicava a tarefa bastante difícil de criar o hábito de utilizar-se da eletricidade, ainda uma novidade. O custo total do empreendimento foi de Rs 110:624$060, mais que o dobro do capital investido. Foram pagos à firma Zerenner Bullow & Cia. a quantia de Rs 61:453$917 pelas maquinarias, fretes, seguro e carretos do material importado. As obras de alvenaria nos canais e na usina ficaram em Rs 38:713$043, pagos a Antonio F. Villaverde.
Profissionais que prestaram serviços na instalação (notadamente imigrantes): João Molinari (grades de ferro), Antonio Germano (colocação de postes), H. Franken (instalações elétricas), Vitório Castiglioni e Marchosini (pedreiros-construtores). Algumas destas pessoas possuíam rendas bastante elevadas, a ponto de fazerem vultosos empréstimos ao Sindicato nos momentos de aperto financeiro. Até o final de 1899, as parcelas seguintes do capital foram sendo pagas de forma menos regular, indicando dificuldades. Em 1899, o jornal “O Rio Pardo” fez severas críticas à iluminação pública, que deixava muito a desejar. Em 1900 já havia uma lista de 63 assinantes particulares, demonstrando que a empresa tendia a estabilizar-se.
A Evolução para as Grandes Companhias (CPEE)
A partir de 1900, o Sindicato foi se desfazendo e os organizadores iniciais cederam suas quotas. Em 1903 restavam apenas o Cel. Vicente Dias Júnior, o Dr. Guilherme Tell e o Major Alípio Luis Dias. Estes constituíram uma sociedade comercial sob a razão social de “Dias & Cia” e a denominação de Companhia Luz Elétrica Riopardense, atuando a partir de 27 de agosto de 1903. Em 1906, o coronel Vicente Dias Júnior tornava-se o único titular após adquirir todas as quotas sociais restantes.
Com o novo nome de Empresa de Luz e Força Santa Alice e sob a administração rígida do Cel. Vicente Dias, a empresa ganhou novo impulso, expandindo-se para a rede telefônica em 1908 e renovando o contrato de eletricidade em 1910, época em que contava com cerca de 150 assinantes. Em 1912, unificando os bens com a Empresa Força e Luz de Bariry e a Usina Elétrica de Socorro, foi fundada a Companhia Paulista de Energia Elétrica (CPEE), que se expandiu significativamente nas décadas seguintes.
Galeria Biográfica dos Fundadores
Coronel Vicente Dias Júnior (1869-1933)
Grande baluarte da consolidação da energia elétrica e telefonia na cidade. Herdeiro da Fazenda Tubaca e modelo de arrojo empresarial na transição do século.
Dr. Arthur Pio Dechamps de Montmorency
Engenheiro francês, idealizador do projeto de iluminação elétrica e construtor da primeira ponte metálica sobre o Rio Pardo em 1896.
Tenente-Coronel João Baptista de Sousa Moreira
Político atuante do Partido Republicano, Intendente Municipal e grande amigo do escritor Euclides da Cunha durante sua estada na cidade.
Dr. Guilherme Tell
Médico conceituado natural do Maranhão, líder político local e primeiro gerente da Companhia Luz Elétrica Riopardense.
Tarquínio Cobra Olyntho (1870-1933)
Farmacêutico diplomado em Ouro Preto, proprietário da Farmácia Popular. Atuou como médico dos necessitados, além de vereador e autor teatral de destaque.
Felice Maria Calvitti (d. 1910)
Notável construtor e empreiteiro italiano. Responsável pelas monumentais igrejas matrizes de São José, Mococa e Casa Branca.
Resumo em Áudio Narrado
Ouça abaixo o resumo narrado com os principais acontecimentos históricos sobre a iluminação elétrica de São José do Rio Pardo. Ideal para acessibilidade.
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